O alerta ignorado sobre a situação de crianças e adolescentes em conflito com a lei


A prisão em flagrante de cinco pessoas por fornecer bebida alcóolica para adolescentes, no fim de semana passado, feita pela Polícia Civil, deveria ser uma ação permanente e rotineira não só em bares da Capital como também nos municípios do interior, inclusive em operações conjuntas com todos os órgãos e entidades que lidam com crianças e adolescentes.
No entanto, ações como essas ocorrem de forma esporádica e pontuais, apenas quando é necessário mostrar serviço em operações realizadas em nível nacional, a exemplo da Operação Caminhos Seguros, coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública durante o mês de maio em todo o país.
Enquanto não há uma política de governo voltada para as crianças e adolescentes, com enfrentamento e prevenção às drogas lícitas e ilícitas, violência nas escolas e aliciamento da criminalidade, os casos seguem sendo registrados no cotidiano, a exemplo do que vem ocorrendo na escola no bairro Caranã, onde grupos de alunos partem para a violência como prática rotineira.
O alerta foi dado no início do ano, quando notícias sobre o surgimento das “tropas” nas redes sociais e que passaram a agregar jovens e adolescentes de todas as classes sociais. Tais “tropas” podem se tornar embriões formadores de novos faccionados, conforme foi visto em janeiro, quando a Polícia Militar abordou grupos de jovens e adolescentes, em um shopping da cidade, durante uma ameaça de confronto marcada pelas redes sociais.
No noticiário policial é possível observar uma crescente onda de envolvimento de crianças e adolescentes em ocorrências, entre tráfico de drogas, furtos em escolas, envolvimento em crimes, exploração sexual e outros casos, os quais acendem uma luz de preocupação que nunca entrou no radar das autoridades, mais preocupadas em coligações partidárias e viabilização de candidaturas.
Nas últimas décadas, é possível observar uma regressão nas ações governamentais e institucionais. Roraima já teve até Ciclo Patrulha Escolar em um passado um pouco distante. Boa Vista também chegou a dar exemplo em programas sociais voltados às crianças e adolescentes em conflitos com a lei. Mas hoje temos apenas lembranças e resquícios daquele passado de quem decidiu adotar políticas públicas.
Se nada for feito o mais rápido possível, as escolas se tornarão embriões de ressurgimento das antigas “galeras” (hoje chamadas de “tropas”), com crianças e adolescentes sendo aliciados para entrar no mundo do crime, cuja porta de entrada é a “inocente cervejinha” oferecida nos bares sem qualquer fiscalização efetiva. É por isso que essas operações noturnas precisam se tornar rotineiras, não só em bares, mas por toda a cidade tomada por faccionados.
*Colunista
O post O alerta ignorado sobre a situação de crianças e adolescentes em conflito com a lei apareceu primeiro em Folha BV.









COMENTÁRIOS