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Roraima chega à reta final da eleição com eleitor cansado e cenário indefinido

folhabv.com.br
Roraima chega à reta final da eleição com eleitor cansado e cenário indefinido


Bom dia,
A dois dias das Eleições, Roraima chega às urnas em um cenário, no mínimo, incomum. Para o eleitor roraimense, será a segunda eleição estadual em pouco mais de três meses. Em 21 de junho, 384.582 pessoas estavam aptas a votar na eleição suplementar para governador e vice, convocada após a cassação da chapa eleita em 2022. Agora, em 4 de outubro, 401.574 eleitores estão aptos a voltar às urnas para uma eleição geral completa. É campanha demais em pouco tempo.





Há um eleitor mais exposto à política, mais cansado da campanha e, ainda assim, bastante indiferente, principalmente quando o assunto são os cargos proporcionais. Em levantamento da Eficaz realizado entre 14 e 19 de setembro, 51,3% dos entrevistados disseram não saber ou não ter candidato a deputado federal. A menos de três semanas da votação, mais da metade ainda não tinha um nome. E sob a ótica de quem está nas ruas, esta indefinição ainda persiste, às vésperas do dia D. Observadores e analistas do cenário local atribuem parte dessa indefinição ao desinteresse, ao descrédito acumulado e até à ojeriza pela política.





E opções não faltam. Roraima teve 250 registros de candidatura para deputado estadual, dos quais 237 seguem concorrendo às 24 cadeiras da Assembleia Legislativa. São quase dez candidatos por vaga. Para deputado federal, foram 108 registros e 103 candidaturas seguem na disputa pelas oito cadeiras do estado na Câmara, quase 13 nomes por vaga.





Na disputa proporcional, há ainda outro componente paralelo aos números oficiais. Quem acompanha as eleições em Roraima há alguns ciclos relata uma campanha com uma quantidade absurda de recursos circulando. E não se trata apenas do dinheiro que aparece formalmente nas prestações de contas. Quanto desse movimento chegará ao conhecimento da Justiça Eleitoral é outra história, mas num cenário com centenas de candidatos, muitos extremamente capitalizados, e uma parcela expressiva do eleitorado ainda sem escolha definida, dois dias é muito tempo.





Roraima chega, portanto, ao domingo depois de um ano eleitoral que teve de tudo e ainda não terminou. Duas eleições em pouco mais de três meses, prisões e operações policiais, disputas que atravessaram os tribunais, candidaturas questionadas, muito dinheiro circulando e um eleitor que, em boa parte, ainda tenta decidir em quem confiar. É um ambiente que mistura cansaço, descrédito e indefinição e que, na reta final, também deixa mais espaço para abordagens que nem sempre passam só pelo convencimento político.





RETORNO





O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) voltou a ser preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (1º), uma semana depois de deixar a cadeia após pagar fiança. A PF encontrou na casa dele planilhas com 12.175 registros que, segundo a investigação, indicam possível cooptação de eleitores e movimentação de R$ 4,2 milhões. A Justiça determinou o bloqueio do valor. Jalser tenta retornar à Assembleia Legislativa, após conseguir no STF uma liminar que suspendeu sua inelegibilidade.





CORRENTEZA





As planilhas que levaram o candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) de volta à prisão também colocaram a família na investigação. A mãe dele, Itelvina Padilha, foi alvo de busca e de medidas cautelares nesta quinta-feira (1º) e aparece nos registros como intermediadora de cotas do suposto esquema. A esposa, a candidata a deputada federal Dra. Taty (PSDB), é investigada por possível participação, já que R$ 2,45 milhões dos R$ 4,2 milhões bloqueados pela Justiça estão relacionados às candidaturas do casal. A defesa diz que os documentos registram cabos eleitorais e apoiadores remunerados.





APOIO





Esposa do ex-senador e atual conselheiro do TCE-RR Mecias de Jesus, a candidata a deputada estadual Darbi de Jesus (Republicanos) declarou apoio à reeleição do senador Chico Rodrigues (PSB). Ela já havia anunciado Helena Lima (PSD) como um de seus apoios ao Senado, aparentemente deixando de fora Pastor Isamar (União Brasil), que, assim como Helena, integra a chapa apoiada pelo grupo. Chico, por sua vez, tem se mantido publicamente neutro na disputa pelo Governo entre Soldado Sampaio (Republicanos) e Arthur Henrique (PL).





DISPUTA





Treze candidatos disputam as duas vagas de Roraima no Senado, uma média de 6,5 nomes por cadeira. A quantidade ajuda a explicar uma eleição pulverizada, em que partidos que caminham juntos na disputa pelo Governo nem sempre repetem a mesma composição para o Senado. Cada eleitor terá dois votos, e os dois candidatos mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos. A terceira cadeira de Roraima, ocupada por Dr. Hiran (PP), não está em disputa neste ano.





CONCENTRAÇÃO
Dos seis deputados federais de Roraima que tentam a reeleição, quatro estão na mesma chapa, a federação formada por União Brasil e PP. A nominata tem oito candidatos, metade deles já ocupa uma cadeira em Brasília e ainda reúne outros nomes considerados competitivos na disputa. Os outros dois parlamentares que buscam permanecer na Câmara estão no Republicanos e no Podemos. Briga de cachorro grande.





PROMESSA





Para a Justiça Eleitoral, dar, oferecer ou prometer dinheiro, cesta básica, emprego ou qualquer vantagem para obter o voto de um eleitor pode configurar corrupção eleitoral mesmo que a oferta não seja concretizada. O eleitor que solicita ou recebe vantagem em troca do voto também pode responder. Já promessas gerais de campanha, como gerar empregos ou construir obras, não se enquadram nessa regra. A vantagem precisa estar ligada à obtenção do voto ou da abstenção.





ESTOQUE





Muita gente costuma comprar bebidas antes da Lei Seca, mas o consumo também entra na proibição. Em Roraima, a medida começa às 23h de sábado (3) e segue até as 17h de domingo (4), período em que ficam proibidos a venda, a distribuição, o fornecimento e o consumo de bebidas alcoólicas. Comprar antes desse horário não é irregular, mas beber durante a vigência da medida pode levar à autuação e até à prisão em flagrante.





ESPECIAL





Pela importância do momento, a Parabólica vai ser postada aqui neste espaço no domingo (04.10), dia da votação. A razão para tanto está exatamente nos argumentos expostos no Bom dia, uma população aparentemente cansada de promessas e descrente na democracia.


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