Os 38 anos de Estado e a ligação com dois tepuis: o Monte Roraima e a Serra do Tepequém


Ao completar 38 anos de criação hoje, 5 de outubro, o Estado de Roraima tem sua história marcada por dois importantes tepuis, os quais têm a mesma formação geológica, cuja origem remete a 2 bilhões de anos: o Monte Roraima (na tríplice fronteira Brasil, Guiana e Venezuela) e a Serra do Tepequém (atual ponto turístico no Município de Amajari), ambos assentados no Escudo das Guianas.
A ligação com o Monte Roraima é a origem do nome. Apesar de o Brasil deter apenas 5% do monte em seu território, o Estado recebeu o nome em homenagem ao Roraima, cuja origem da etimologia tem algumas versões a partir do nome indígena Roro-imã. Na língua indígena Macuxi significa Monte Verde. Para os Pemon, na Venezuela, que é a mesma etnia Taurepang no Brasil, significa Mãe dos Ventos.
Antes de receber esse nome, em 1943 o governo de Getúlio Vargas desmembrou a área do Estado do Amazonas do Município de Boa Vista do Rio Branco (o qual havia sido criado em 1890 por decreto do governador do Amazonas, Ville Roy), criando o Território Federal do Rio Branco. Foi só em 1962 que o nome foi mudado para Território Federal de Roraima, em homenagem ao grande Monte.
Por sua vez, a ligação com a Serra do Tepequém foi a descoberta de diamante, ainda na década de 1930, que se tornou a principal atividade econômica antes do gado (que foi introduzido na região em 1789 por Manuel da Gama Lobo D’Almada, mas que se consolidou somente na década de 1970), no mesmo momento da criação do Território Federal.
Vale ressaltar que o hoje polêmico Monumento do Garimpeiro, erguido na Praça do Centro Cívico em 1969, no governo de Hélio da Costa Campos, foi em homenagem ao garimpo de Tepequém, onde tem fixada uma placa com o nome dos diamantários (compradores de diamantes) e garimpeiros de maior expressão da época.
É importante destacar que a exploração mineral em Roraima surgiu ocasionalmente. Ao campear o gado espalhado na imensidão dos lavrados, os vaqueiros encontraram as primeiras pedras de diamante nos igarapés que descem dos contrafortes das montanhas roraimenses. E o primeiro garimpo a ser conhecido foi o da Serra do Tepequém, entre 1934 e 1936, com as primeiras expedições em busca de diamante feitas sob o comando do geólogo Mezach Breusntz, da Guiana Holandesa (hoje Suriname).
O geológico ficou conhecido como “Bruston” que, junto com dois experientes garimpeiros da então Guiana Inglesa, Jhonson Jones e Isidério Ribas, deu início às pesquisas em busca do minério em Tepequém. Depois da confirmação da existência de diamante, começaram a chegar os primeiros garimpeiros, entre eles Benedito da Gama Guimarães, o Beneditão, junto com outros desbravadores em 20 de janeiro de 1937, conforme reivindica atualmente a família Guimarães.
Enquanto o garimpo de diamante em Tepequém se consolidava, o Território Federal do Rio Branco foi criado em 13 de setembro de 1943 pelo presidente Getúlio Vargas. Em 13 de setembro de 1962, através do projeto 1433, o Território Federal do Rio Branco passou a se chamar Território Federal de Roraima, cujo autor do projeto foi o deputado federal Valério Caldas de Magalhães.
Depois da decadência do garimpo de diamante em Tepequém, ocorreu a descoberta de ouro na década de 1980 na região de Surucucus, hoje Terra Indígena Yanomami, , dando início a uma intensa corrida garimpeira para aquela região, chamada de novo El Dorado. Essa febre garimpeira esfriou-se com o início dos estudos para a criação, pelo presidente Collor de Mello, do Parque Nacional Yanomami, que era uma reserva antes da homologação da terra indígena.
No mesmo momento em que o Governo Federal coibia o garimpo e expulsava os garimpeiros na Terra Yanomami, implodindo pistas de pouso, foi criado o Estado de Roraima a partir da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988, com a instituição do Estado, de fato, com a posse do primeiro governador eleito, em 1991, o brigadeiro Ottomar de Sousa Pinto, o qual já havia sido governador biônico na década de 1980.
Atualmente, 38 anos depois da criação do Estado, a Serra do Tepequém se consolidou como o mais importante ponto turístico de Roraima, depois do fim do garimpo, na década de 1990, seguindo a mesma trajetória do Monte Roraima, que atrai turistas do mundo todo. Enquanto isso, o governo ainda segue combatendo a segunda grande corrida do garimpo ilegal à Terra Indígena Yanomami, a partir de 2019, quando o crime organizado se estabeleceu explorando a extração de ouro e cassiterita, alimentando um grande esquema nacional e internacional.
*Colunista
jesseroraima@hotmail.com
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