A voz a partir das urnas e os fatos do pleito roraimense que chamaram atenção


Mais uma vez, a compra de voto por meio da chamada Boca de Urna (BU) deu o tom na reta final da disputa eleitoral no Estado, confirmando a frase que se tornou consenso no meio político: “Em Roraima, eleição não se ganha, se compra”. As operações, apreensões e detenções feitas pela Polícia Federal antes e no dia da votação confirmam isso. Significa que a disputa eleitoral não terminou na divulgação final do resultado.
Assim como em outros pleitos, as investigações seguem e, com a morosidade que é contumaz da Justiça, as decisões por crimes eleitorais sairão já no final dos mandatos que irão passar a ser questionados judicialmente. Mas, também, nada do que o eleitor roraimense já não saiba, pois ele mesmo contribui para essa realidade ao vender seu voto durante a campanha.
Fora desse cenário, algumas situações chamaram a atenção no pleito roraimense. Uma delas é o fato de nenhum pastor(a) ou religioso(a) de denominações evangélicas ter sido eleito, não porque o eleitor se conscientizou sobre um fundamentalismo religioso na política, mas porque ficou ressabiado ao perceber a concentração de poder de uma família que não se contentava apenas com o dízimo e que pretendia dominar também a política partidária em nome do pai, da mãe, do filho, mas não do Espírito Santo (Amém?!).
Outra realidade é que, no Estado com grande concentração de povos indígenas, nenhuma liderança indígena conseguiu se eleger. Em outro aspecto, na disputa pelas oito cadeiras na Câmara Federal, nenhuma mulher se elegeu, mesmo sendo Roraima um Estado com o maior índice de violência contra a mulher no país. E os homens que se elegeram são brancos, em sua maioria, e nenhum com pauta explícita em favor das mulheres e dos indígenas.
Com relação ao Legislativo estadual, a reeleição da maioria dos deputados é a mesma cena que se vê há anos, quando vários deputados se enraizaram no poder e aprenderam a cartilha de como montar sua estrutura para se reeleger, sabendo da máxima de que em Roraima eleição não se ganha. Até mesmo houve gente enrolada com a Justiça que por pouco não voltou, pois o eleitor venal assim o quer.
Não menos importante a destacar foi o “não” do roraimense à candidatura alienígena que tentaram empurrar goela abaixo ao Senado, apostando na força do bolsonarismo em Roraima. O eleitor entendeu que só o fato de ser indicado por seus líderes não era suficiente. Enquanto os caciques políticos baixaram a cabeça, ficou para o eleitor a missão de colocar tudo em seu devido lugar, elegendo uma mulher ao Senado, Teresa Surita, por seu histórico político ao ter contribuído com a transformação de Boa Vista, algo que é incontestável.
Por último, o eleitor roraimense foi soberano ao mostrar que queria eleger o ex-prefeito Arthur Henrique como novo governador, realidade esta já externada na desastrada eleição suplementar em que a própria Justiça Eleitoral protagonizou um triste episódio que jamais deve ser esquecido na política brasileira. E será a primeira vez que os roraimenses irão experimentar o comando do Governo do Estado e da Prefeitura nas mãos do mesmo grupo político, a partir de 2027. Será aqui que um novo capítulo da história política começará a ser construído, sob a expectativa de todos.
*Colunista
jesseroraima@hotmail.com
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