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Dez boletins em dois meses: furtos de cabos afetam obras de iluminação em rodovias de Roraima

folhabv.com.br
Dez boletins em dois meses: furtos de cabos afetam obras de iluminação em rodovias de Roraima

Postes de iluminação na RR-205. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV

Dez boletins de ocorrência foram registrados em um período de dois meses após furtos de cabos utilizados em obras de iluminação em rodovias de Roraima, segundo o empresário Edson Barros, que atua no setor de engenharia elétrica. Os casos têm provocado a retirada e reinstalação da fiação em diferentes trechos, além de prejuízos com materiais e mão de obra.





Um dos pontos citados por Edson é a BR-174, entre os quilômetros 3 e 11, próximo ao bairro Santa Cecília, onde a empresa dele executa uma obra contratada pelo Governo de Roraima junto ao programa Calha Norte do Governo Federal. O projeto prevê a instalação subterrânea dos cabos e, segundo o empresário, alguns trechos precisaram ser refeitos várias vezes após novos furtos.






“Tem trecho que já colocamos cinco vezes e foi furtado cinco vezes. Então, você imagina o custo que isso está trazendo para a empresa, o transtorno para a população e também para o próprio Estado, porque aquilo que foi planejado para ser executado uma vez acaba tendo que ser feito várias vezes”, relatou.






Segundo o empresário, a tentativa de dificultar a retirada dos cabos também aumentou a profundidade da instalação. “A gente começou colocando a 40 centímetros. Depois, por causa dos furtos, começou a colocar a um metro de profundidade. Só que mesmo assim eles estão conseguindo furtar. Então, você começa a ficar sem alternativa, porque o projeto é subterrâneo e você não pode simplesmente mudar para aéreo, já que existe um projeto aprovado e um contrato para ser cumprido”.









Edson afirma que, além do material furtado, a empresa precisa arcar novamente com a mão de obra para refazer os trechos. Ele estima que os prejuízos acumulados na obra da BR-174 cheguem a aproximadamente R$ 400 mil.






“Você tem o custo do cabo, que é uma coisa, mas tem também o custo de abrir o trecho novamente, fazer toda a instalação, testar e fechar. É uma obra que já foi feita e você está tendo que pagar de novo para fazer a mesma coisa”, explicou.






Para o empresário, o tipo de material utilizado também influencia nos furtos. Segundo ele, os cabos de cobre instalados de forma subterrânea são mais atrativos para os criminosos do que a fiação aérea de alumínio, principalmente pelo maior valor de revenda como sucata.





Como referência, o quilo do cobre pode chegar a cerca de R$ 50 no mercado de sucata, enquanto o alumínio fica em torno de R$ 7. Com isso, o cobre pode alcançar um valor de revenda aproximadamente sete vezes maior.









Prefeitura também relata prejuízos





Na Avenida Brasil, trecho municipalizado da BR-174, a Prefeitura de Boa Vista informou que os furtos também levaram à mudança na estrutura da rede elétrica. Neste ano, a fiação subterrânea foi substituída por aérea como forma de tentar reduzir novas ocorrências.





Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Conservação Pública, entre dezembro de 2025 e junho de 2026 foram furtados 4.741 metros de cabos de cobre isolado. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 410.250,11.





A Prefeitura informou ainda que os furtos não representam apenas a perda dos cabos. As ocorrências também danificam caixas de passagem, eletrodutos, conectores, quadros de comando e outros componentes da rede. Em alguns casos, luminárias de LED e equipamentos eletrônicos também são comprometidos.





De acordo com a secretaria, para restabelecer a iluminação é necessário mobilizar equipes técnicas, veículos operacionais, substituir materiais, realizar testes elétricos e recompor a infraestrutura danificada, aumentando o custo da manutenção. Diante da situação, “a Prefeitura orienta que a população comunique movimentações suspeitas envolvendo a rede de iluminação pela Central 156, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados”.





‘Chega um hora que precisa de segurança’









A mesma situação, segundo Edson, também é registrada em trechos da BR-401 e da RR-205. No caso da rodovia estadual, por exemplo, ele afirma que outra empresa responsável pelo serviço também precisou lidar com a retirada de cabos e alterar a forma de instalação da fiação em alguns pontos.





Segundo o empresário, a adoção de medidas técnicas, como aumentar a profundidade dos cabos, ajuda a dificultar os furtos, mas não resolve o problema quando as ocorrências continuam. Além disso, a segurança dos locais onde as obras estão sendo executadas não pode ficar exclusivamente sob responsabilidade das empresas.






“Não adianta você simplesmente falar para a empresa: ‘olha, coloca os fios mais no fundo’. A gente já está colocando, já está fazendo o que está dentro da nossa possibilidade técnica. Mas chega uma hora em que você precisa de segurança. O trabalhador não pode ser responsável por enfrentar criminoso e a empresa não consegue colocar uma pessoa ali para ficar tomando conta da obra 24 horas”, afirmou.






Conforme o empresário, todos os casos foram comunicados aos responsáveis pela fiscalização das obras e que boletins de ocorrência são registrados.





Edson afirma que faz os relatos também como cidadão e não apenas como empresário do setor. Isso porque a repetição dos furtos prolonga a execução dos serviços e pode deixar trechos sem iluminação enquanto os cabos são repostos.






“Você termina uma obra e, no outro dia, alguém vai lá e leva o cabo. Aí você tem que voltar, comprar material novamente, mandar equipe novamente, parar outro serviço para atender aquele trecho. E a população fica esperando a iluminação voltar. É um ciclo que não termina se não tiver alguma medida de segurança”, reforçou.






Falta de iluminação também prejudica motoristas em casos de desvios de buracos, como na RR-205. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV




Policiamento ostensivo e preventivo





Procurado pela reportagem, o Governo de Roraima informou, por meio da Polícia Militar de Roraima (PMRR), que mantém policiamento ostensivo e preventivo em todo o Estado, incluindo trechos de rodovias estaduais e federais que integram sua área de atuação. Segundo a corporação, o emprego do efetivo é definido conforme o planejamento operacional e a análise das ocorrências registradas.





“No caso específico dos furtos de cabos em obras de iluminação pública, a PMRR atua mediante o policiamento ostensivo, atendimento das ocorrências e adoção das providências policiais cabíveis quando os fatos são constatados ou comunicados às equipes”, disse a PMRR em nota.





A corporação informou ainda que pode atuar de forma integrada com outros órgãos envolvidos na segurança pública, principalmente por meio do compartilhamento de informações sobre locais e horários com maior incidência de ocorrências. Mas não detalhou se há atualmente reforço específico de policiamento nos trechos citados na reportagem, como a BR-174.






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